Palavras do Blog.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ótima entrevista de Leonardo, a Revista Época, sobre o futebol brasileiro


Poucos são os que se lembram de Leonardo Nascimento Araújo por sua habilidade como lateral esquerdo e meia de São Paulo,Flamengo, Milan, Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira tetracampeã em 1994. Radicado na Itália, Leonardo é o brasileiro que foi técnico de Milan e Inter de Milão e diretor esportivo do PSG, time que ressurgiu desde que os bilhões árabes formaram uma equipe com o sueco Ibrahimovic e os brasileiros Thiago Silva, David Luiz e Lucas. A experiência como técnico e cartola dá a Leonardo a segurança para cravar que o futebol brasileiro ficou para trás. “A gente achava que era só colocar a camisa amarela, disputar a Copa e – uau! – marketing natural. Isso acabou”, diz nesta entrevista a ÉPOCA. Afastado do futebol em 2013 por 14 meses após empurrar um juiz, Leonardo anulou a punição na Justiça e pretende voltar a trabalhar como manager – mistura de técnico e dirigente – em 2016.
ÉPOCA – O técnico brasileiro está atrasado? Na Europa falam no fim do esquema, em jogar sem zagueiro de origem. Aqui ainda falamos em volante cão de guarda para fechar a zaga.
Leonardo – Ele não está dentro do circuito internacional. Se não tem acesso a outras informações, dificilmente consegue desenvolver uma nova ideia. Ele está fechado para o mundo. Não adianta só ir uma semana à Europa para ver os treinamentos.
ÉPOCA –Estar distante dos polos de conhecimento, sobretudo da Inglaterra e da Alemanha, deixa-os desatualizados, incompletos?
Leonardo – Claro. A formação do treinador brasileiro é empírica. Não tem formação de base. O treinador na Europa faz dois, três, quatro anos de curso para ser treinador. Para ser treinador na Europa eu fiz dois anos do curso da Uefa (entidade que rege o futebol europeu), na Itália. Depois desenvolve as ideias dele, mas está sedimentado em uma base teórica. A Uefa regulamentou. Hoje existem cursos no Brasil que não são reconhecidos por ninguém. Não valem na Europa, não valem internacionalmente.
ÉPOCA – Você vê no Brasil algum bom exemplo? O Tite no Corinthians? Ele aparenta ter um trabalho estruturado, com estilos de jogo comuns na Europa como construção de jogo com mais passes e menos chutões ou "lançamentos".
Leonardo – Temos grandes treinadores para a realidade do Brasil. Os melhores dos últimos tempos foram motivadores. Essa coisa de juntar um grupo, fechar, facilitar que algumas individualidades fossem muito bem. Isso aconteceu muito. Não é que Vanderlei Luxemburgo, Tite e Muricy Ramalho tenham ganhado por acaso. Só que eles ganharam aqui. Eles se adaptaram a uma realidade brasileira. Isso foi ótimo. Mas falta um treinador atualizado para o panorama geral.
ÉPOCA – Como o treinador brasileiro é visto na Europa?
Leonardo – Historicamente, o treinador brasileiro nunca teve grande mérito. Nas nossas conquistas, até pela própria seleção, o mundo não o reverenciou. Talvez o único seja o Telê Santana (técnico da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 e 1986). Mas que também não trabalhou no exterior. O treinador brasileiro foi um pouco estigmatizado por não ter uma incidência real no time. O europeu dá uma identidade clara a ele. O brasileiro, menos.
ÉPOCA – A fama da Seleção Brasileira não é mais suficiente?
Leonardo – Durante muitos anos a gente produziu jogadores de forma empírica. Jogadores terminavam a formação deles na Europa. Todos que brilharam terminaram a formação lá. Ronaldo virou Ronaldo na Europa. Ronaldinho virou Ronaldinho na Europa. Kaká virou Kaká na Europa. Mas isso não tem vida longa.
ÉPOCA – Os clubes não conseguem formar atletas?
Leonardo – As instituições, devagar, foram perdendo credibilidade, poder, receita. O futebol brasileiro virou um produto menos atrativo, produto que só se vende no Brasil. A gente vê na televisão, se satisfaz com o dinheirinho que entra e acabou ali. Tudo o que falarmos da parte técnica é consequência da política. Não existe política de formação de treinador, de dirigente de clube. Quem é (o dirigente)? É o cara apaixonado que se candidata, está ali há anos porque é apaixonado, é sócio. Mas que formação ele tem? O que o empresário que vende chocolates tem a ver? Com o tempo tudo isso diminuiu muito a capacidade de produção do futebol.
 ÉPOCA – O futebol brasileiro guardou dados sobre os nossos atletas?
Leonardo – A gente não mapeou nada. Produzimos Pelé, Zico, Ronaldo, e cadê nosso know-how? Não existe. Ninguém tem. Nenhum clube passou de um para outro, não existe sequência.
ÉPOCA – O que o europeu tem de estatística, de banco de dados, que o brasileiro não tem?
Leonardo – Um jogador se divide em quatro áreas que depois são subdivididas: a parte técnica (individual), a tática (coletiva), a médica e a psicológica. São as áreas cardinais para fazer avaliação do jogador. Principalmente falando de formação, o menino tem que ser acompanhado em tudo. Quero ver se hoje o treinador e o diretor de um clube sabem tudo o que esse jogador faz, a vida dele. Porque a vida dele tem que ser focada. Tem que viver pra isso. Quero ver se ele sabe quem é a família, qual é a escola, o que ele come, onde está quando não está no treinamento,  que tipo de coisa tem que dar para o menino render o máximo, que tipo de perfil psicológico ele tem para facilitar a imersão dele em um time, em uma cidade. Quem conhece esse menino em um momento de risco de contusão? Não é que isso não exista no Brasil. Mas não há um know-how que vire metodologia. A nossa metodologia é ter um treinador que fica um ano, dois, vai embora com tudo debaixo do braço, chega outro, faz outra coisa, e vai andando.
ÉPOCA – Algo se perdeu com o tempo neste aspecto?
Leonardo – Nós tivemos uma coisa muito legal, que ninguém dava, e a gente dava, que era liberdade de criação grande. Essa era nossa prática. Deixe ele jogar, deixe ele viver. A escola europeia já era contrária. Só que ela desenvolveu metodologias de formação do coletivo e melhorou a individualidade, e a gente ficou na individualidade, sem melhorar o coletivo, sem controlar o processo de formação. Com o tempo a organização de um jogo bate a jogada individual.
ÉPOCA – Romário tinha um treinador no PSV que o ajudava fora de campo para adaptá-lo à cidade...
Leonardo – Guus Hiddink. Foi meu treinador também. E tem que ser. O clube tem que ter o entendimento do que precisa para ele render mais. Aqui a gente fica com tentativas e erros. A gente tenta, vê no que dá, tenta de novo, e aí fica realmente complicado.
ÉPOCA – O que Conmebol e CBF precisam fazer?
Leonardo – Dirigentes no Brasil discutem votos nos clubes, nas federações, na Fifa, encontros em assembleias da Fifa, apenas questões políticas. Quem discute formação, homologa cursos? Quem leva informações daqui para fora, quem traz de fora para dentro? Não existe integração. O futebol brasileiro está fechado. Temos um produto nacional. É um erro de conceito. O Brasil está fora do circuito mundial.
ÉPOCA – Na Europa há clubes com donos, ingleses e franceses, há clubes com empresas como sócias, alemães, e há clubes com conselhos, italianos. Qual modelo é melhor?
Leonardo – Não acho que há melhor ou pior, não. Se você pega Barcelona e Real Madrid, eles têm uma política tão complicada quanto (a dos clubes) do Brasil. Só que eles têm uma coisa que faz diferença, o poder econômico. No Brasil temos problemas de política e não criamos novas receitas. Os clubes não têm dinheiro. De onde vem o dinheiro de clubes europeus? Do campeonato nacional e da Liga dos Campeões. Qual a competição internacional que os clubes brasileiros participam?
ÉPOCA – Libertadores.
Leonardo – Quanto ela produz para um time que ganha? € 5 milhões, mais ou menos. Sabe quanto ganha um time que ganha a Liga dos Campeões? € 65 milhões mais prêmios de contratos publicitários. O Brasil participa de uma competição em que paga para participar. E quem busca a Liga dos Campeões das Américas? No Brasil a gente fica comendo na mão dessas instituições que organizam uma Libertadores que não é rentável. O que ela te dá? Nada. A visão que temos do futebol é extremamente política. As decisões quase sempre são tomadas para se manter no poder. As decisões não são tomadas em prol de um produto melhor. Falta visão e diálogo.
ÉPOCA – A hierarquia do futebol brasileiro, com federações e clubes, ainda funciona?
Leonardo – Todo mundo é vítima de um sistema arcaico. Acabou. Já funcionou, deu certo, foi inventado assim, mas hoje o mercado pede outra coisa. O campeonato interno está baixando o nível, as pessoas têm menos interesse, vão menos ao estádio, e aí formamos piores jogadores, piores treinadores. É uma sangria desatada. Os clubes poderiam se organizar para fazer isso melhor, e eles poderiam ser estimulados, promovidos, divulgados por instituições. Que seja uma liga, que seja a CBF, seja quem for, 24 horas por dia, para desenvolver um produto não só com uma visão nacional, porque nacionalmente a gente não vai conseguir ser competitivo em alto nível.
ÉPOCA – Então a CBF tem problemas políticos, as federações, também, e os clubes, também. Ninguém é vilão, nem mocinho. De onde sai a mudança? Tem que ser externa?
Leonardo – Ou você precisa de força política, ou econômica. Se hoje alguém chegar para os clubes e dizer: quanto você ganha? Dez? Vou te trazer vinte. Vem comigo? A ideia tem que ser financiada.
ÉPOCA – Há em curso uma oferta da MP & Silva para formar uma Liga dos Campeões das Américas e uma Liga Sul-Minas Rio que começa a aparecer. O que acha delas?
Leonardo – A Liga dos Campeões das Américas tinha que existir há muito tempo. Nunca vi dirigente brasileiro discutindo isso. Primeiro que temos um mundo, digamos, sedento por eventos, por futebol, que seria os Estados Unidos, lugar onde você pode encontrar dinheiro. É um mundo que ninguém nunca explorou, e não sei por quê. Teria que ter uma Liga dos Campeões que envolva os Estados Unidos. Na Europa, o dinheiro está na Inglaterra, na França, na Alemanha, não nos países menores. No caso das Américas, está nos Estados Unidos.
ÉPOCA – E a liga?
Leonardo – É um produto que nasce hoje por briga política, não por visão econômica. Nasce por uma briga de federações com os clubes. É uma solução paliativa. Pode ser o esboço de uma futura liga? Pode ser. Mas agora era o momento as lideranças sentarem e tentarem encontrar uma saída que seja boa para todo mundo. Todas as instituições estão fragilizadas. Todas elas. Qual está forte, moralizada, organizada, rentável? Não tem. Inclusive a CBF. Pode ter dinheiro, mas não tem todo o resto. Este é o momento. A liga tem que nascer nacional. A liga está financiada?
ÉPOCA – Até agora não tem TV, nem patrocínio.
Leonardo – Que liga é essa?
ÉPOCA – Por enquanto há só a briga entre Alexandre Kalil e CBF, “casa do 7 a 1”, como ele a chamou.
Leonardo – Exatamente. Ela não tem nem condições econômicas, porque não está financiada, nem políticas, porque não é unificada. Agora imagina que eu seja italiano, alemão, japonês, americano ou africano. A notícia nunca chega lá, mas vamos supor que ela chegou. “Liga Sul-Minas-Rio nasce no Brasil”. O que é isso? Como posso entender o que é isso? É uma demonstração a um futuro cliente de que você está construindo uma coisa que ninguém entende, não é vendável, não tem credibilidade. Com esse nome, já nasce morta. Não é questão de nome, mas dá a ideia de que não representa o futebol brasileiro.
ÉPOCA – Há resistência de paulistas. Roberto de Andrade [presidente do Corinthians] já falou que não quer, Paulo Nobre [do Palmeiras] não vai a reuniões. Dá para sair sem paulistas?
Leonardo – Não dá. Não tem que sair sem eles. Tem que sair com âmbito nacional. Se o Nobre não vai, não vai por uma questão política. Se amanhã disser que ele ganha dez, mas vai ganhar vinte, ele vem. Tem que ser muito prático. Tem que ter um projeto com novas receitas, bom para todos.
ÉPOCA – O confronto político dos clubes com a CBF não pode deixá-los em má situação?
Leonardo – Não precisaria de confronto, guerra. Não acho. Contra fatos não há argumentos. CBF não existe sem os clubes, os clubes existem sem CBF. Não acredito que seja bom para a CBF ter um campeonato ruim, no qual ela teoricamente tem um pouquinho de controle, mas não tem gerência total. Organiza tabela, escolhe juiz, define campo, estabelece horário, mas não é isso. A visão tem que ser comercial.
ÉPOCA – No Brasil o governo usou a dívida fiscal para forçar algumas regras por meio do Profut. Na Espanha, o governo foi mais radical e interviu para haver uma divisão mais igualitária das cotas de televisão. Como você vê a intervenção do governo na gestão do futebol?
Leonardo – O governo tem que controlar como controla qualquer outro setor. Se há falcatrua, quem regula tem que atuar. Não existe dizer se campeonato deve ser assim ou assado. O governo não deve entrar nisso, até porque é realmente privado. O clube não é público, as federações não são públicas, e um dia o governo deu o poder de organização a essas entidades.
ÉPOCA – O Profut, especificamente, com regras de limitação de mandato, responsabilização pessoal do dirigente por gestão temerária...
Leonardo – Tudo isso é em função de má gestão. O governo está muito distante, tem muito pouco conhecimento do que é isso. Acho difícil o ministro do Esporte saber exatamente o que acontece lá dentro. O governo poderia até estar sentado nessa mesa conversando. Nesse momento teria que ter uma conversa muito profunda. Mas não brigando ou impondo.
ÉPOCA – Alguns clubes brasileiros tentaram ter CEO. É pré-requisito para profissionalizar?
Leonardo – Temos que formar pessoas que tenham capacidade para aquele cargo. Não adianta pegar o mesmo diretor de futebol e remunerá-lo. Isso não é profissionalizar. Se não tem competência daquilo, não é profissionalizar. A gente está aqui batendo palmas para a Europa. O (time que está em) último lugar da Premier League(liga inglesa) fatura o triplo do primeiro do Brasil. A gente achava que era só colocar a camisa amarela, disputar a Copa do Mundo e, uau, marketing natural. Isso acabou. Acabou.
ÉPOCA – Isso tem que partir dos clubes, mas os próprios clubes são fechados. O São Paulo está no meio de uma crise em que o diretor socou o presidente, mas não muda. E aí?
Leonardo – Mas aí é que entra a grande instituição por trás. Ela que leva, direciona. Ela tem que direcionar a gestão de um clube. Se a gestão está desfavorecendo um clube, ela tem que intervir.
ÉPOCA –Quem é a grande instituição?
Leonardo – Hoje seria a CBF, mas sob o controle de alguém. A própria CBF teria que estar em um estatuto no qual ela é controlada por um conselho gestor ou de ética. pelos clubes. Se ela organiza o campeonato, ela tem que ser controlada pelos clubes. Se um clube não cumpre o seu papel, não arca coma s suas responsabilidades, não age com ética, ele é punido ou até proibido de ser inscrito no campeonato caso seja o caso. Um clube mal administrado atrapalha o campeonato. E não é só ida. É ida e volta. Se a CBF não realizar o que tem que realizar, tem que ser cobrada por isso. Existe hoje uma política que claramente deteriora o clube. Teria que ter intervenção. A CBF tem que chamar e perguntar: vem cá, qual é o problema? Aqui a gente não tem isso. A CBF não participa da discussão no real dos problemas dos clubes, ninguém entra, o São Paulo está lá do jeito dele, e muitos outros até piores, e falta a grande conversa do produto final.
ÉPOCA – A tragédia do 7 a 1, então, é muito anterior àquele jogo.
Leonardo – Muito anterior. Aquilo ali é a consequência drástica. Talvez nem precisasse do 7 a 1 para que a gente entendesse. A única coisa que restava aquele 7 a 1 destruiu: a nossa autoestima.
ÉPOCA – Isso [7 a 1] ainda pode ser gancho para mudar?
Leonardo – Acredito em trabalho. Não acredito em achar que nosso jogador nasce, joga bola, chuta bem. Isso vale para Pelé, Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo. São pontos fora da curva e não servem como base. O que serve é aumentar o nível da média. Se a média for 80% ruim, o campeonato é fraco. Se a média for mais alta, o produto fica muito melhor.
ÉPOCA – Você foi convidado a ser CEO da Liga Sul-Minas-Rio?
Leonardo – Não considero um convite oficial. Houve uma consulta, até porque conheço essas pessoas, por meio do Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo. Ele sabe o que eu penso.
ÉPOCA – Aceitaria um cargo no futebol brasileiro?
Leonardo – Eu olho o organograma do futebol brasileiro e não consigo almejar um cargo porque não acredito que me encaixo no perfil de liderança  nessas funções. Gostaria muito de participar, mas vejo a engrenagem muito engessada, a mentalidade muito fechada, viciada. Acredito em um grande movimento de pessoas que idealizassem um novo sistema. Um sistema independente de gestão que visasse o desenvolvimento esportivo, social e econômico do futebol brasileiro. Imagina um futebol moralizado, rentável e engajado em causas sociais. Seria um exemplo extraordinário. Teria um impacto fortíssimo, inclusive no desenvolvimento do nosso país, que tanto precisa. Isso eu aceitaria.




sexta-feira, 30 de outubro de 2015

YouTube começa a transmitir futebol ao vivo



O YouTube começou na quarta-feira, 28, a transmitir a Copa del Rey, da Espanha, em 17 países, incluindo Brasil. A primeira partida que foi exibida foi o duelo Barcelona e Villanovense. Entretanto, o acesso não é gratuito. Na Europa, o Google cobra 5 euros por partida ou 20 euros por todo o torneio. Ainda não se sabe o preço que será cobrado no Brasil.

A parceria, fechada entre o site, a Liga Espanhola e a MediaPro, empresa responsável pela comercialização dos direitos do grupo, pode ser uma pista interessante sobre o que pode acontecer no YouTube Red, serviço por assinatura da plataforma anunciado recentemente.
Essa não é a primeira vez que o YouTube trasnmite eventos esportivos. Em 2014, pessoas de diversos países puderam acompanhar o título mundial do surfista Gabriel Medina.


A entrada do Google no setor pode representar uma mudança na negociação de direitos de transmissão de esportes no Brasil e no mundo. Até hoje, as empresas de televisão dominavam o mercado, disputando para decidir quem compraria determinados campeonatos e contando com a exclusividade de transmissão. Em muitos casos, o telespectador era obrigado a comprar um jogo ou assinar um canal específico para assistir ao evento. Agora, será possível acompanhar partidas longe da TV.


Jogos Mundiais dos Povos Indígenas celebram a tradição, a cultura e o esporte


Desde da sexta-feira (23), a cidade de Palmas - TO se transformou no destino de vários  indígenas do planeta com a realização dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Durante dez dias, a cidade está sendo o palco de grandes celebrações que reúnem atletas de 24 etnias nacionais e povos de mais 23 três países, dando visibilidade internacional à biodiversidade e à cultura indígena. O ritual de acendimento do Fogo Sagrado, aconteceu no final da tarde de quinta-feira (22), marcou a abertura simbólica do evento.
Nesta sexta-feira (23), a presidenta Dilma Rousseff e o secretário Nacional de Políticas do Turismo do Ministério do Turismo, Júnior Coimbra, representando o ministro, participaram da cerimônia oficial do evento, organizado em parceria com o governo federal, a prefeitura de Palmas, o governo de Tocantins e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A escolha do Tocantins para sediar o evento levou em conta, entre outros fatores, a expressiva presença de populações indígenas em seu território: cerca de 10 mil pessoas de sete etnias. A seleção das equipes pelo Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC) também tem um critério interessante, em vez de considerar regiões, contempla os biomas brasileiros.

Dois destes biomas, o Cerrado e a Floresta Amazônica estão presentes no Tocantins. Juntos, o patrimônio natural e a cultura indígena tornam o Tocantins um destino único. A riqueza está contemplada em regiões turísticas com vocação nos segmentos de ecoturismo e aventura, pesca esportiva, sol e praia, religioso, cultural, étnico-indígena, entre outros.

Frequência cardíaca durante o exercício




A frequência cardíaca é parte importante de diferentes variáveis fisiológicas. Por exemplo, junto ao volume sistólico forma o débito cardíaco. A frequência cardíaca é também parte do duplo produto.


Algumas considerações que devemos lembrar sobre Frequência cardíaca durante o exercício:

-Quando se inicia um exercício, a FC aumenta proporcionalmente à sua intensidade (de acordo com a capacidade física atual).

-Existe uma correlação direta entre a intensidade da FCmáx e o VO2máx durante o exercício, embora próximo do VO2máx se perca a linearidade.

-A frequência cardíaca máxima é muito importante para o planejamento do treinamento e seu controle, assim como para determinados testes de laboratório e de campo, tanto para esportistas como para a população em geral.

-Segundo a fórmula da OMS-Karvonen, a FCmáx é 220 – idade (fórmula aplicada pela Organização Mundial de Saúde [OMS]). No entanto, isso é uma estimativa, e os valores individuais variam consideravelmente em relação a esses valores médios. Por exemplo, em uma pessoa com 40 anos de idade, a FCmáx seria estimada em 180 bpm. No entanto, segundo estudos realizados, dentre pessoas de 40 anos, 68% apresentam uma FCmáx entre 168 e 192 bpm e 95% entre 156 e 204 bpm. O próprio Karvonen possui outra fórmula para avaliar o VO2máx ou a FC de reserva: FCmáx – FCR. Ambas as fórmulas são importantes para conhecer o potencial cardiovascular, mas as duas possuem margem de erro. A partir desses resultados planeja-se o pulso de treinamento.

-A fórmula da OMS é a mais utilizada na população (FCmáx = 220 – idade).

-Perde-se 1 bpm por ano de vida.

-Quando o ritmo de esforço se mantém constante, em níveis submáximos de exercício, a FC aumenta muito rapidamente, até estabilizar-se. O ponto de estabilização é conhecido como estável da FC e é o ritmo ideal do coração para satisfazer as exigências circulatórias a esse ritmo específico de esforço. Para cada incremento posterior de intensidade, a FC alcançará um novo valor dentro de um ou dois minutos.

-Apesar disso, quanto mais intenso é o exercício, mais se demora para alcançar o estado estável.

-Nesse princípio de cargas crescentes, utiliza-se um teste de laboratório para o diagnóstico da capacidade funcional.

-Após seis meses de treinamento moderado a moderadointenso, a FC durante o exercício submáximo costuma diminuir cerca de 20 a 40 bpm. A FC submáxima de uma pessoa reduz-se proporcionalmente à quantidade de treinamento realizado.

-O período de recuperação da FC diminui aumentando-se o treinamento de resistência; é uma variável considerada para avaliar o progresso do treinamento.
-Wilmore e Costill (2000) referem que quando se passa da posição de pé, em relativo repouso, a caminhar, a FC pode aumentar de 60 para 90 bpm aproximadamente.

-Fazendo jogging (trote) a um ritmo moderado de 140 bpm, pode-se chegar a 180 bpm ou mais se passamos a correr a uma grande velocidade. O débito cardíaco (DC) aumentará por duas causas: maior volume sistólico e maior FC durante o exercício, em virtude da demanda de fluxo sanguíneo  e O2 dos músculos que estão trabalhando.

-Vários fatores afetam a FC durante o repouso e durante o exercício, como temperatura, umidade, horário do exercício, modificação de posição, ingestão de alimentos, etc. O uso de determinados medicamentos pode alterar a FC durante a prática de exercícios; por exemplo, os beta-bloqueadores diminuem a FC. Situações parecidas também ocorrem durante o repouso (ver Tabelas 2.2 e 2.3).
-Fatores como as modificações de posição durante o exercício (posição ortostática – como ocorre durante a corrida –, ou sentado – como ocorre no ciclismo e durante a natação) afetam a frequência cardíaca em uma intensidade similar de trabalho.



Doutor Júlio Gregório é reeleito presidente do Caicó Esporte Clube



O doutor Júlio Gregório foi reeleito presidente do Caicó Esporte Clube. O evento ocorreu no centro administrativo. Do total de 39 votantes, a chapa única formada por Doutor Júlio Gregório (Presidente) e Sub Tenente Fernandes (vice-presidente) obteve 38 votos e foi registrado um voto em branco.


Para o conselho fiscal foram eleitos os seguintes membros: José Alencar (32 votos), Paulo Linhares (26 votos), Erivonaldo Cicinato (19 votos), Danúbio (13 votos), Edmilson (7) e Aldenor (6 votos).



Após vídeo, FOO FIGHTERS fará show em Cesena, na Itália; relembre



Parece que a mobilização dos fãs de Foo Fighters em Cesena, na Itália, deu resultado. Em julho, mil pessoas se reuniram para gravar um vídeo da música Learn to Fly. Os fãs reivindicavam um show da banda por lá. Nesta quinta-feira, 22, o líder da banda anunciou uma apresentação na cidade em 3 de novembro.

"Ver tanta gente dedicar tempo, esforço e amor para fazer música me levou às lágrimas. É difícil traduzir para palavras o quanto isso me deixou honrado. Foi, sem dúvidas, uma das mais bonitas experiências da minha vida", escreveu o vocalista Dave Grohl.


As cidades de Torino e Casalecchio di Reno também receberão a turnê mundial do Foo Fighters. Grohl terminou o anúncio com uma expressão na língua local: "Ci vediamo presto, Cesena! (Nos vemos em breve, Cesena!).






Jon "Bones' Jones está de volta ao UFC



Ex-campeão dos meio-pesados, Jon Jones está de volta ao plantel de lutadores em atividade no UFC. Depois do anúncio oficial da organização, o lutador usou o Facebook para comemorar o retorno e agradecer aos fãs pelo apoio. 

"
Sou grato pela oportunidade de retomar minha carreira, e estou animado para mostrar o quanto cresci como pessoa fora do octógono. Precisei perder quase tudo o que conquistei para perceber o quanto tinha. 

Sou abençoado e grato pelo apoio contínuo da comunidade do MMA, e não posso agradecer o suficiente aos meus fãs pelo apoio inabalável durante os meus altos e baixos. Isso marca o início de um novo capítulo em minha vida e minha carreira, e, deixe-me assegurá-los, o melhor ainda está por vir". 

Jones ainda não tem data nem adversário certos para seu retorno ao octógono.



sábado, 24 de outubro de 2015

Inscrições prorrogadas da Meia Maratona do Sol, em Natal, irão até amanhã (25 de Outubro).


A Meia Maratona do Sol reabre nesta sexta-feira (23) as inscrições para preencher algumas vagas remanescentes. O lote é limitado e segue até domingo (25) ou em data anterior caso as vagas sejam preenchidas. As inscrições são realizadas somente através do site da prova. Basta preencher o formulário de inscrição e selecionar a forma de pagamento.
Com 4 mil inscritos até o momento, a maior corrida de rua do estado acontece em Natal no próximo dia 7 de novembro, às 16h, com largada e chegada na Arena das Dunas.

Link para a inscrição na Corrida: http://meiamaratonadosol.com.br/inscricoes

1989: O ano em que a música era tudo para todos nós.

Por Alberto Villas (Carta Capital)

O aiatolá Khomeini ofereceu 3 milhões de dólares pela cabeça do escritor Salman Rushdie, o autor dos Versos satânicos.Condenado à morte sem julgamento e recolhido em seu canto, Rushdie evitava até mesmo olhar pelo olho mágico da sua casa.

Pela televisão, o mundo assistia perplexo o muro de Berlim ruir. As placas de concreto iam desmoronando em meio a lágrimas, abraços, beijos e emoção. O Portão de Brandemburgo se abriu, e Berlim virou uma festa.

Em Pequim, um chinês solitário enfrentava uma coluna de tanques indo pra lá e pra cá, evitando que eles avançassem sobre os estudantes em revolta numa praça cujo nome é Paz Celestial. A fotografia rodou o mundo, virou símbolo da resistência. Muita gente tentou mas ninguém nunca localizou o tal chinês.

O mundo perdia um grande escritor irlandês, o modernista Samuel Beckett, autor da peça Happy Days. E o planeta ficava um pouco menos surrealista sem o pintor espanhol Salvador Dalí.

O ditador romeno Nicolae Ceausescu era perseguido a paus, pedras e balas, numa caçada feroz até ser abatido a tiros. O seu corpo ficou ali caído no chão, exposto à visitação pública e em todos os canais de televisão, ao vivo e em cores.

Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, voava para Boston na esperança de estancar o avanço do vírus da Aids. Um esqueleto, cabelo fino e andando de cadeira de rodas, bandana na cabeça, ele resistia. Mas para a revista Veja, que o estampou em sua capa, ele agonizava em praça pública.

O disco Burguesia chegava às lojas com o seu grito de guerra logo na primeira faixa: “A burguesia fede/A burguesia quer ficar rica/E enquanto houver burguesia/Não vai haver poesia”.

Mas era na faixa de número 10 que Cazuza revelava ter se transformado numa cobaia de Deus: “Se você quer saber como eu me sinto/Vá a um laboratório, ou num labirinto/Seja atropelado por esse trem da morte/ Vá ver as cobaias de Deus/Andando na rua, pedindo perdão/Vá a uma igreja qualquer/Pois lá se desfazem em sermão/Me sinto uma cobaia, um rato enorme/Nas mãos de Deus mulher/De um Deus de saia/Cagando e andando/Vou ver o ET/Ouvir um cantor de blues/Em outra encarnação”.
A música quase não tocou nas rádios. Havia um silêncio também em torno da canção Azul e Amarelo, que Cazuza compusera com Lobão e o outro Agenor, o de Oliveira, o Cartola: “Anjo bom, anjo mau/Anjos existem/E são meus inimigos/E são amigos meus/E as fadas/As fadas também existem/São minhas namoradas”.

Cazuza ainda usava as últimas forças que tinha para cantar uma velha canção de Caetano Veloso que ficou imortalizada na voz de Maria Bethânia: “Ah, esse cara tem me consumido/A mim e a tudo que eu quis/Com seus olhinhos infantis/Como os olhos de um bandido”.

Éramos todos rock and roll. Por aqui dançávamos nas cavernas ao som da Plebe Rude, do Capital Inicial, do RPM, do Barão Vermelho, dos Paralamas do Sucesso, dos Titãs do Iê-Iê-Iê, do Camisa de Vênus, que teve seu nome vetado na Rede Globo de Televisão. Camisa de Vênus, não! Simplesmente Camisa, sim!

Enquanto o Ultraje a Rigor decretava que “a gente somos inútil, a gente não sabemos votar pra presidente”, viajávamos ao som da banda Fellini e Violeta de Outono. Curtíamos o Rumo, o Premeditando o Breque, a Língua de Trapo. Nos divertíamos também com Eduardo Dusek cantando no banheiro, com o Kid Abelha, o João Penca e os Miquinhos Amestrados, e a Blitz: “Ok, você venceu! Batata frita!” Radicalizávamos com os Ratos de Porão, o Olho Seco, os Inocentes e uma epidemia de Cólera.

Nos lugares mais sofisticados, a história era outra. New Order com Technique, The Cure com Desintegration, Depeche Mode com 101 e Pixies com Doolittle.

Escondido e no meio dessa confusão, eu redescobria as canções de Paul Simon e Art Garfunkel: The sound of silence sound. E, ligeiramente desesperado, acompanhava a rouquidão de Tom Waits em Raindog.

Éramos todos rock em roll quando paramos para ouvir o Eterno Deus Mu Dança. “Não era carnaval, nem São João. Nenhum balão no céu, nem luar no sertão. Nenhuma foto no jornal, nenhuma nota na coluna social. Nenhuma múmia se mexeu, nenhum milagre da ciência aconteceu. Nenhum motivo nem razão. Quando a saudade vem, não tem explicação”.
Éramos todos rock and roll quando fomos interrompidos por Marisa Monte cantando Andomeio desligado, Chocolate e o Xote das meninas. Era a volta da daquela asa branca à minha vida.

Apareciam novas meninas no pedaço. A sensação era Adriana Calcanhoto cantando Pão doce: “Não adianta mentir pra mim mesma/Ficar me enganando tentando dizer/Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce/Porque por mais que eu queira esconder/A verdade é que eu adorava pão doce”.

Mas um dia, quem chegou de repente foi Mauro e Quitéria. Os dois cantadores vinham caminhando pela praia da Boa Viagem, no Recife, quando os meninos dos Titanguesouviram aquele som estranho. Correram para buscar um gravador e registrar aquela cantoria embolada e sem fim pra colocar num disquinho, lá em São Paulo.

Era uma cantoria meio sem nexo para nós, mas com pé e cabeça para os dois que entendiam sua língua muito particular. Para bom entendedor, meia palavra bastava: “Õ Blésq Blom, um sucesso na tela do cinema”.

Foi Oscar Rodrigues Alves quem captou e registrou toda a história. Os Titangues eram os Titãs que resolveram, sim, abrir o disco Õ Blésq Blom com Mauro e Quitéria cantando na praia da Boa Viagem, para em seguida soltar o grito de guerra: “Miséria é miséria em qualquer canto/Riquezas são diferentes/Índio mulato preto branco/Miséria é miséria em qualquer canto”.

Os rocks vinham em seguida, um atrás do outro, até chegar num labirinto de dúvidas: “Há uma questão que há muito tempo me incomoda/Qual será a vantagem de se ter uma ou duas corcovas/O que iremos formular é somente um questionário/Qual diferença haverá entre o camelo e o dromedário”.
As rádios tocavam Angélica com Eu vou de táxi, Lulu Santos com Lua de mel, Luiz Caldas com Odé e Adão, Xuxa com Ilariê, Tim Maia com Onde está você, Paralamas com o Beco, Maria Bethânia com Tá combinado, Gonzaguinha com É e o Legião com Que país é esse?: “Nas favelas, no Senado/Sujeira pra todo lado/Ninguém respeita a Constituição? Mas todos acreditam no futuro da Nação”.


Fonte: (Carta Capital) - http://www.cartacapital.com.br/cultura/1989-2004.html?utm_content=bufferf56b5&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer